Uma noite marcada pelo encontro entre música clássica, cultura brasileira e arte contemporânea reuniu convidados na Pinacoteca de São Paulo. A Bvlgari, tradicional marca italiana de luxo, anunciou a doação da obra digital Serpenti, do artista brasileiro Gabriel Massan, ao acervo permanente do museu, fortalecendo a presença da arte digital em uma das principais instituições culturais do país.
A celebração teve trilha sonora especial. Primeiro, o público acompanhou uma apresentação de Vivaldi sob a regência do maestro João Carlos Martins. Em seguida, o músico sentou-se ao piano para interpretar Eu Sei Que Vou Te Amar, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, criando uma atmosfera que aproximou a tradição erudita da música popular brasileira.
Murilo Lazzari, country director da Bvlgari no Brasil, recebeu os convidados da noite. Entre os nomes presentes estavam os atores André Lamoglia, Alice Wegmann e Reynaldo Gianecchini, a apresentadora Maisa e a atriz Carla Salle.
Encomendada pela Bvlgari em 2023, para marcar os 75 anos da linha Serpenti, a obra representa a primeira colaboração criativa da marca com um artista brasileiro.
Radicado em Berlim, Gabriel Massan desenvolve uma pesquisa artística que transita entre animação 3D, escultura digital, games, som e instalações interativas. Seu trabalho investiga novas possibilidades de expressão e as relações entre tecnologia, identidade e experiência artística.
Em Serpenti, o artista revisita a serpente, símbolo historicamente associado à transformação, à renovação e à continuidade. A obra estabelece um diálogo entre esse imaginário e as linguagens digitais contemporâneas, aproximando a tradição estética da joalheria italiana das experimentações da arte atual.
A trajetória de Massan inclui passagens por instituições internacionais, como a Serpentine Galleries, o Centre Pompidou-Metz e o MAAT, além do Museu de Arte Moderna de São Paulo e da própria Pinacoteca.
Com a doação, a obra passa a integrar o acervo permanente do museu, ampliando a presença da produção digital no patrimônio artístico preservado pela instituição.
A iniciativa em São Paulo faz parte de uma trajetória mais ampla da Bvlgari no apoio à cultura e à preservação do patrimônio. Fundada em Roma, em 1884, a maison mantém há mais de uma década projetos voltados à recuperação de monumentos e espaços históricos italianos.
Em 2014, a marca destinou 1,5 milhão de euros à restauração da Escadaria da Praça de Espanha, em Roma, um dos pontos emblemáticos da cidade e um lugar ligado à história da própria empresa.
Nos anos de 2015 e 2016, patrocinou a recuperação dos mosaicos das Termas de Caracalla. Em 2019, anunciou um investimento de aproximadamente 1 milhão de euros para viabilizar a visitação da Área Sacra de Largo Argentina, que reabriu ao público em 2023.
A empresa também apoiou a nova iluminação do Ara Pacis e ações de conservação de esculturas da coleção Torlonia. Segundo a marca, suas iniciativas contribuíram para a restauração de seis monumentos ao longo de uma década.
Em 2024, a Bvlgari anunciou a criação da Fondazione Bvlgari, estrutura destinada a organizar e ampliar suas iniciativas nas áreas de cultura, filantropia e projetos de longo prazo.
A doação à Pinacoteca se conecta a essa estratégia ao direcionar o apoio da marca também à criação contemporânea. A proposta une duas frentes: incentivar novas linguagens artísticas e contribuir para que obras relevantes sejam preservadas e permaneçam acessíveis às futuras gerações.
Mais do que uma celebração do universo do luxo, o encontro em São Paulo destacou o diálogo entre diferentes expressões culturais. Ao aproximar a música de João Carlos Martins, a pesquisa digital de Gabriel Massan e o patrimônio artístico da Pinacoteca, a iniciativa reforça o papel das parcerias entre instituições culturais e empresas privadas na valorização da arte.