Por Marcelo Begosso
Eldorado, no Vale do Ribeira, enfrenta um cenário crítico após as fortes chuvas provocarem a elevação do Rio Ribeira de Iguape para cerca de 12 metros, segundo as informações divulgadas sobre a ocorrência. A cheia atingiu diferentes pontos do município, isolou áreas e mobilizou uma força-tarefa para atender moradores.
O alerta para chuvas intensas havia sido emitido pelo Governo do Estado na última sexta-feira (11), permitindo que parte da população se antecipasse à subida das águas. Moradores retiraram móveis, eletrodomésticos e outros pertences das áreas mais vulneráveis.
A mobilização comunitária também ganhou destaque. Famílias se organizaram para auxiliar idosos, crianças e moradores com dificuldades de locomoção, numa corrida contra o avanço do rio.
Equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar Ambiental estão mobilizadas. Em pontos onde a água impede o acesso terrestre, embarcações são utilizadas para chegar às famílias e transportar mantimentos e itens essenciais.
Três escolas foram transformadas em abrigos temporários para receber moradores que precisaram deixar suas residências.
Apesar da dimensão da cheia, não havia registro de mortes em Eldorado nas informações fornecidas até o momento.
A preocupação agora está voltada para o comportamento do Rio Ribeira e para a possibilidade de novas precipitações. Com o solo encharcado e níveis elevados dos cursos d'água, qualquer volume adicional de chuva pode agravar a situação.
Historicamente vulnerável às grandes cheias, Eldorado volta a enfrentar a força do Ribeira. Desta vez, porém, alerta antecipado, prevenção e solidariedade entre os moradores estão ajudando a reduzir as consequências de uma das situações mais delicadas enfrentadas pelo município.
Um dos episódios mais lembrados ocorreu em 1997, quando uma grande cheia do Rio Ribeira atingiu diversos municípios. Estudos técnicos sobre a bacia tratam aquele evento como uma das enchentes históricas de referência para a região.
Outra grande ocorrência aconteceu em 2011, quando chuvas intensas provocaram inundações, deslizamentos, retirada de moradores e prejuízos em diferentes pontos do Vale.
Em anos recentes, 2023 e 2024 também tiveram episódios de chuvas fortes, alagamentos e elevação dos rios, reforçando a necessidade de monitoramento permanente.
A Bacia Hidrográfica do Ribeira de Iguape e Litoral Sul possui aproximadamente 28 mil km², considerando as áreas de São Paulo e Paraná. O Rio Ribeira percorre uma extensa região antes de alcançar o complexo estuarino-lagunar próximo ao litoral.
Quando grandes volumes de chuva atingem simultaneamente diferentes pontos da bacia, o nível dos rios pode subir rapidamente e alcançar áreas ocupadas próximas às várzeas.
O impacto vai muito além das casas alagadas. As enchentes podem afetar agricultura, pontes, estradas vicinais, abastecimento, transporte, escolas, unidades de saúde e comunidades tradicionais e rurais.
Monitoramento dos rios, sistemas de alerta, planejamento urbano, conservação das áreas de várzea, manutenção de acessos e planos municipais de contingência são fundamentais para reduzir os impactos.
Com eventos climáticos extremos ganhando importância no planejamento das cidades, as enchentes deixam uma pergunta que precisa permanecer no centro do debate público:
Quanto o Vale do Ribeira está preparado para enfrentar a próxima grande cheia?