Por Marcelo Begosso
No extremo sul do litoral de São Paulo, onde a Mata Atlântica encontra o mar e os rios formam um labirinto de águas, Cananéia revela uma combinação rara de história, natureza e cultura caiçara.
Considerada pelo Governo do Estado de São Paulo como o primeiro povoado do Brasil, Cananéia possui uma história que remonta ao período anterior à chegada oficial dos portugueses ao território brasileiro. Registros cartográficos europeus já apontavam a região entre os séculos XV e XVI.
Em 1531, a expedição de Martim Afonso de Souza chegou à região, onde encontrou um povoado estabelecido. Anos depois, São Vicente seria fundada oficialmente, tornando-se a primeira vila do país.
Cananéia está inserida no Lagamar, complexo estuarino-lagunar que se estende por aproximadamente 110 quilômetros, de Iguape até Paranaguá, no Paraná.
A região reúne manguezais, restingas, dunas, ilhas e Mata Atlântica, formando um dos mais importantes ambientes naturais do litoral brasileiro. O Lagamar integra áreas reconhecidas pela UNESCO e faz parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica.
Um dos grandes protagonistas desse cenário é o boto-cinza. Centenas desses animais vivem no estuário e podem ser avistados nas proximidades do píer e durante os passeios de barco.
Grande parte das experiências mais marcantes de Cananéia acontece a bordo de pequenas embarcações. Os passeios atravessam canais cercados por manguezais e levam os visitantes a praias e comunidades preservadas.
Entre os destinos estão:
Praia do Pereirinha – na Ilha do Cardoso, com águas tranquilas e atividades como caiaque e stand-up paddle.
Marujá – comunidade caiçara conhecida pela gastronomia, pela pesca tradicional e pela Festa da Tainha.
Ilha do Bom Abrigo – cenário histórico com farol, ruínas e piscinas naturais.
Baía dos Golfinhos – região conhecida pela presença dos botos-cinza.
Praia do Cambriú – opção para quem busca isolamento, silêncio e contato intenso com a natureza.
Mais do que um destino de praia, Cananéia é uma viagem pela história e pela biodiversidade brasileira. Seus casarões coloniais, comunidades tradicionais, ilhas e áreas preservadas formam um patrimônio que permanece vivo.
No extremo sul paulista, a cidade mostra que alguns dos destinos mais impressionantes do Brasil não precisam de grandes estruturas para encantar. Basta atravessar o rio, entrar em um barco e deixar que a própria natureza conte a história.